Cetesb descarta novo deslizamento em Itaquaquecetuba

A comunidade que vive nas imediações do aterro sanitário da empreiteira Pajoan, na cidade de Itaquaquecetuba, ficou apavorada, na manhã de ontem, com a possibilidade de novos deslizamentos em duas regiões do maciço. As informações obtidas pelos moradores davam conta de que, tanto a região sul, nas proximidades da Rodovia Ayrton Senna, quanto o trecho noroeste, que já passou por uma explosão em abril deste ano, poderiam ruir a qualquer momento. As queixas da população chegaram à diretoria da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), na Capital, que determinou a apuração dos fatos. Porém, no fim da tarde de ontem, o órgão divulgou nota em que informa que os técnicos não constatam as irregularidades denunciadas pela população.

Na manhã de ontem, os moradores visualizaram grande evaporação de gazes em várias partes do maciço e ficaram assustados com declarações informais de funcionários do aterro de que os deslizamentos poderiam acontecer a qualquer momento e atingir suas casas. Além dos riscos anunciados no final da última semana, sobre a instabilidade da região sul do aterro, também haveria uma nova possibilidade de desmoronamento da mesma porção que explodiu no dia 25 de abril deste ano. Diante disso, as pessoas acionaram o presidente da Organização Não Governamental (ONG) “Tolerância Zero – Justiça e Cidadania”, Francisco Rosas, que apresentou as queixas diretamente à diretoria da Cetesb, em São Paulo.



No período da manhã, o proprietário do aterro, o empresário José Cardoso, recebeu os técnicos da Cetesb, representantes da Defesa Civil e um grupo de moradores. Fabiano Soares mora no Bairro Pinheirinho e participou da conversa. Ele contou que os técnicos do próprio aterro teriam confirmado que há risco de novos deslizamentos nas duas regiões, mas esclareceram que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para o escoamento do chorume e estabilização do maciço. Os representantes da Pajoan teriam, no entanto, tranquilizado o grupo com as informações de que não há possibilidade de ocorrer uma nova explosão de gazes e de que, caso ocorra novo desmoronamento, as casas não seriam atingidas.

Ao final da visita, todas as informações foram repassadas, pelo grupo de moradores, à comunidade. Apreensivas, as pessoas se reuniram por volta das 15 horas na porta de uma das casas vizinhas ao aterro. Apesar das notícias de que não há riscos para as residências, os moradores não se mostraram satisfeitos. “Como é que pode não haver riscos? Estamos morando do lado de uma bomba relógio. Gostaria que viessem pessoas realmente sérias até aqui para ver nossa situação”, disse a presidente da Associação de Apoio aos Moradores de Itaquaquecetuba, Sheila da Costa Pereira Messias, que representa cerca de 300 famílias da Região.

No final da tarde, a Assessoria de Imprensa da Cetesb divulgou nota confirmando que técnicos da agência regional, em companhia de representantes da Defesa Civil Municipal, estiveram ontem no aterro para “nova vistoria, em função de diversas reclamações da comunidade local”. O texto diz que “ficou constatado que nenhuma das faces do maciço de resíduos do aterro apresentava novos deslizamentos, conforme denúncia apresentada por moradores. A emissão de gases, que também gerou preocupação por parte da comunidade, ocorre em função da abertura das linhas trincheiras, que visam reforçar o sistema de drenagem de chorume e foi exigência feita pela Cetesb por ocasião da autuação realizada no último dia 14/07”.

Fonte: Diário de Mogi





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